Pol Pot, o Pior Ditador de Todos os Tempos

Este é um artigo de autoria do articulista austrolibertário Luciano Takaki, reproduzido aqui com permissão e que nos foi enviado.

O texto conta um pouco do ditador comunista Pol Pot, quem governou o Camboja de forma tipicamente socialista e que, proporcionalmente, administrou um banho maior que todos os outros ditadores genocidas do século XX.

Por toda história da humanidade sempre existiram pessoas más e boas. Principalmente as más. Por toda história da humanidade, sempre existiram pessoas loucas e sãs. Sempre existiram opressores e oprimidos. Mas poucas tiveram as três primeiras qualidades e o pior: governaram um país ou império. Adolf Hitler, Josef Stalin, Mao Tsé-Tung e outros foram uns dos poucos aos quais testemunhamos toda crueldade durante o século XX; mais antigamente, tivemos Átila, Calígula, Ivã… Mas não observemos apenas números e os teores das atrocidades. Opressão não significa apenas matar e nem conquistar territórios pela força. Vejamos também crimes contra a liberdade e violação dos direitos. A figura do ditador não deve ficar apenas nos seus números, o ditador acima de tudo é uma figura autocrata e absolutista. Ele concentra todo o poder para si dissolvendo todo o parlamento. Por isso, se alguém me pergunta qual o exemplo mais claro de ditador que eu possa dar, o mais totalitário, o mais cruel, o que mais destruiu o seu próprio país e consequentemente a liberdade de seu povo, o que me vem a cabeça é Saloth Sar, vulgo Pol Pot. Sim, nem Hitler, nem Mao, nem Stalin. Ao menos no século XX não existiu nenhum ditador pior que o Pol Pot.

No dia 19 de maio de 1925, no vilarejo de Prek Sbauv, província de Kampong Thom, nascia o oitavo de nove filhos do casal Saloth Pen e Sok. Nem seu nome escolhido foi Saloth Sar. A família Daloth era de ascendência sino-khmer e Sar significa branco em khmer (não que Saloth Pen seja racista). O país era colonizado pela França e para época e para os padrões locais, o velho Saloth Pen era considerado um homem rico, afinal tinha 12 hectares de terra e criava búfalos. Tudo isso possibilitou ao jovem Saloth Sar viajar para Paris para estudar. Mas antes de conhecer a Cidade da Luz em 1935, ele teve de estudar numa escola católica em Phnom Penh, capital da Camboja, a École Miche; lá, ele morou com a sua prima, membro do Balé Real. Meak tinha um caso com o Rei Monivong e era mãe do Príncipe Sisowath Kusarak. Ele morou com sua prima até 1942 e como além de ter uma prima que teve um filho com o rei ainda tinha uma irmã, a Roeung, que era concubina do rei, tinha facilidade para visitar o palácio real. Com isso ganhou uma vaga no Lycée Preah Sisowath, onde não teve muito sucesso com seus estudos.

Pol Pot, O Pior Ditador De Todos Os Tempos

Lembrando que o autor deste artigo era ateu na época em que o escreveu.

No norte da capital, no distrito de Russey Keo, o jovem Saloth Sar estudou na escola técnica local e lá conseguiu a qualificação necessária para estudar eletrônica em Paris, onde ficou de 1949 até 1953. Em Zagreb, atual capital da Croácia e antigo município da República Federal da Iugoslávia, chegou a trabalhar com construções de estrada em 1950. No mesmo ano, a então poderosa URSS reconheceu o governo de Viet Minh, que posteriormente se tornaria Vietnã. O caso deixOU os membros do Partido Comunista Francês (PCF) eufóricos e chamou a atenção de cambojanos. Entre eles, Saloth Sar. Foi quando ele teve contato com o comunismo.

Sar nunca foi muito bem nos estudos, ele tinha uma fraca intelectualidade e o que estudou foi somente o suficiente para conseguir uma vaga em Paris, mas também foi o suficiente para ingressar no Cercle Marxiste (Círculo Marxista). Logo então, fundou o Grupo de Estudo de Paris; dele sairiam os principais membros do Khmer Vermelho. Sempre focado no marxismo, inspirados no PCF, o grupo se dedicou em atrair estudantes cambojanos na França com suas idéias revolucionárias, que eram contra a monarquia absolutista do Rei Norodom Sihanouk. Na sua obra, Da Monarquia a Democracia, Sar disse:

“A monarquia é um vil postulado que vive de sangue e suor dos camponeses. Somente a Assembléia Nacional e os direitos democráticos darão aos cambojanos um espaço de respiro… A democracia que substituirá a monarquia é uma instituição sem igual, pura como diamante.”

Sar volta para o Camboja sem nenhum diploma depois de se casar com Khieu Ponnary; no paupérrimo país, se une com a aliança comunista khmer-vietnamita que dizia ensinar como trabalhar com massa de base, fundar comitês a nível de aldeia, membro por membro, ainda que um “camarada” de Saloth Sar dissesse que segundo ele a independência deveria ser conquistada pelos próprios cambojanos.

No ano de 1946, alguns monges se aliaram ao Partido Comunista da Indochina (PCI), liderado pelo futuro ditador vietnamita Ho Chi Minh, e mais tarde, dois deles, Son Ngoc Minh e Tou Samouth, fundariam o Partido Comunista Cambojano. Mas, idealista, Saloth Sar não quis nenhuma influência vietnamita no processo da independência. E em 1951, o PCI se dissolveu, dando origem a três outros partidos em três países diferentes (Camboja, Laos e Vietnã). A facção cambojana se chamaria Partido Revolucionário Popular da Kampuchea (PRPK), que contou com a presença do Saloth Sar e os membros do Grupo de Estudo de Paris.

O Rei Norodom Sihanouk fez de tudo para suprimir o comunismo no país; tanto depois da sonhada independência em 1954 como depois do reconhecimento em 1957. Em 1962, o principal líder do Partido Comunista da Camboja, Tou Samoth, foi misteriosamente assassinado. Muitos falaram que se trataria parte da estratégia do Saloth Sar, que já estava conhecido pela alcunha de Pol Pot. Lembrando que basicamente duas facções disputavam o poder na Camboja: PRPK, liderado por Pol Pot, que de tão comunista era anti-vietnamita, e o Partido Comunista Cambojano, que era moderado.

Em 1964, começa a Guerra do Vietnã, e não demorou muito para o Shiranouk declarar a Camboja neutra em relação à guerra para evitar maiores problemas, mas não adiantou muito. Os EUA estavam crentes de que o Camboja abrigava vietcongs e que de neutro o país não tinha nada; então, com uma mãozinha dos gringos, Lon Nol deu um golpe de Estado, alinhando assim o Camboja com os EUA e o Vietnã do Sul, tudo o que Pol Pot não queria, mas uma coisa o favoreceu: como o rei perdeu os seus poderes, ele aproveitou para por a mão na massa. O Grupo de Estudos de Paris tomou o total controle do PRPK e o renomeou para Partido Obreiro da Camboja (POC). Depois, Pol Pot e outros membros do partido deixaram Phnom Pehn e viajaram até o nordeste da Camboja e Vietnã do Norte, adentraram na China; lá se convenceram que o ideal seria mudar o nome do partido para Partido Comunista Kampuchea (PKK), mas os populares o chamavam de khmeres vermelhos (em francês, Khmer Rouge). Depois de novamente viajar para o Vietnã do Norte, Pol Pot resolveu ficar um tempo numa aldeia montanhosa no norte da Camboja. Lá, ele ficou impressionado com a simplicidade do povo, que vivia feliz apenas com o essencial e se convenceu de que aquilo era o ideal do comunismo. Mais tarde, ele ganhou reforços. Várias células guerrilheiras simpatizantes do Khmer Vermelho surgem por todo país e praticamente toda a região norte já estava tomada e o ditador-general Lon Nol não obteve sucesso contra eles nem com ajuda americana. Os EUA, presididos por Richard Nixon, então resolveram apelar: convencidos que o norte da Camboja era um refúgio dos vietcongs, resolveram bombardear fortemente a região, ultrapassando, em três anos, mais de meio milhão de toneladas de bombas. Mais do que lançaram contra o Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar das mais de 600 mil mortes, isso apenas popularizou os khmeres vermelhos. Aos poucos, os khmeres avançaram e tomaram cidades uma a uma até se aproximar de Phnom Pehn. Eles já tinham dominado todo o país e os EUA já tinham praticamente desistido e não fizeram outra coisa mais a não ser dar abrigo ao Lon Nol no Havaí. Outros membros do governo fugiram e os guerrilheiros cortaram todos os meios de comunicação da capital.

194O dia 17 de abril de 1975 ficou marcado como a Queda de Nom Pen, nome antigo da capital. Os EUA tinham desistido completamente da guerra e Lon Nol saiu de helicóptero do lugar e do país, ao qual nunca mais voltaria até o dia de sua morte em 1984 (se bem que morando no Havaí não deveria ter sentido tanta falta…); estrangeiros ligados ao ditador foram deportados. Milhões de pessoas comemoraram e receberam com festa os khmeres vermelhos na cidade. Porém, eles encararam o povo com frieza. Sim, acabou uma ditadura republicana e a partir de então começou outra: a ditadura mais totalitária já vista num país. A ditadura do khmer vermelho Pol Pot.

Começa A Ditadura

Pol Pot não estava de brincadeira, e ver o povo feliz não parecia ser o seu desejo. Ainda em 1975, ele declarou que o povo da cidade era inimigo do Estado e expulsou grande parte da população para os campos; fora isso, ele oficialmente abandonou o seu antigo nome para adotar de vez o de Pol Pot. Não contente, declarou que o ano de 1975 seria o Ano Zero, o que já evidencia total ignorância com a matemática, já que o zero nunca é usado em contagens.

Nunca nenhum país experimentou algo tão próximo do comunismo como o Camboja. A ditadura de Pol Pot fez Cuba dos Castro parecer tão capitalista quanto a Suíça comparado com o que acontecia. Inspirado na China maoísta ele resolveu ser ainda mais radical que Mao Tsé-Tung e implantou um socialismo agrário e ultra-mega-super-extrema esquerda. Dentre as suas geniais medidas para a purificação da Cambodja do capitalismo podemos listar:

  • Abolição da moeda (GÊNIO!);
  • Abolição do mercado;
  • Abolição das escolas (continua achando a educação do seu país ruim?);
  • Destruição de toda e qualquer infraestrutura urbana;
  • Fechamento de todas as embaixadas, com exceção da francesa e de países simpatizantes (China, Coreia do Norte, Vietnã do Norte, etc);
  • Conversão forçada dos moradores de cidades para trabalhador de campos;
  • Abolição de qualquer influência estrangeira;
  • Abolição de qualquer tipo de arte;
  • Abolição da religião;
  • Proibição dos livros;
  • Forçar o fim da família e entre outras coisas.

No dia 5 de janeiro de 1976, o Camboja se tornara Kampuchea Democrática, que de democrática não tinha absolutamente nada. O Rei Norodom Sihanouk ficou encarcerado no seu próprio palácio, poupado pelos khmeres vermelhos. E então Pol Pot assumiu de fato o poder, e a sua identidade sempre se manteve em segredo, também conhecido como Camarada Um, e absolutamente ninguém fora do governo sabia quem era ele, assim como ninguém do governo era do conhecimento do povo. A grande obsessão do governo de Pol Pot era mostrar ao mundo que eles sobreviviam sem nenhum tipo de ajuda externa e que para tanto sempre evitavam qualquer tipo de influência. Para tanto, foi preciso um governo extremamente totalitário. Certamente nenhum país passou por uma mudança tão radical e isso custou caro ao povo.

O Maior Auto-Genocídio da História

196Muito ouvimos falar de genocídios. Mas geralmente é um povo exterminando outro, porém o que ocorreu no Camboja foi algo completamente incomum. O que se viu foi um governo exterminando o seu próprio povo, a sua própria etnia. Tudo pelo ideal comunista. O país passou por uma mudança extremamente brusca e como quem mora em cidades se tornaram inimigos do Estado, tal como fazendeiros e gente que simplesmente não concordou com o governo que foram expulsos, presos ou simplesmente executados. Uma parte dessa gente foi enviada para uma prisão que poderíamos chamar de uma versão cambojana de Auschwitz-Birkenau, a Unidade de Aprisionamento e Interrogatório S-21, vulgarmente chamada de Tuol Sleng, ou simplesmente S-21. A prisão antes era a Escola Secundária Tuol Svay Prey, que hoje é um museu em homenagem às vítimas do genocídio. Acredita-se que mais de 20 mil pessoas pereceram no lugar. O PhD Karl D. Jackson na sua obra Cambodia 1975-1978 mostrou uma estatística macabra: antes da tomada do poder pelos khmeres vermelhos a população cambojana era de 7,3 milhões de habitantes e em 1978 era de apenas 5 milhões. Não se sabe ao certo quantas pessoas foram mortas. As estatísticas mais levianas apontam 1,5 milhão, mas muitos acreditam ser entre dois e três milhões. As causas foram as mais diversas: sejam execuções sumárias – muitas delas por motivos fúteis como, por exemplo, usar óculos -, torturas e confrontos armados, seja por minas ou causas menos diretas, mas com grande culpa do governo: fome, doenças causadas pela precariedade da saúde, etc. Esse é o preço do comunismo. Opressão, fome e doenças. Mas nada descreve melhor que o breve texto escrito na entrada do Memorial Choeung Ek, um templo onde foram encontrados mais de 5 mil crânios e 8 mil cadáveres.

O mais trágico é isto: neste Século XX, o Camboja viu como esse bando de criminosos de Pol Pot cometeu o mais odioso genocídio da atualidade, a matança da população com uma atrocidade incalculável, muito mais cruel que o genocídio cometido pelo nazismo de Hitler, mais terrível que qualquer outra experiência que o mundo havia conhecido antes. Com estupor diante de nós, imaginamos a voz dolorosa das vítimas maltratadas pelos homens de Pol Pot com paus de bambu ou machadadas e apunhaladas como armas brancas. Nos parece estar olhando as cenas de horror e pânico. Os rostos feridos de pessoas fatigadas pela fome ou pelos trabalhos forçados ou torturadas sem misericórdia com seus famélicos corpos. Morreram sem dar as últimas palavras aos seus parentes e amigos. Como se fossem animais daninhos, as vítimas eram golpeadas com paus em suas cabeças ou com enxadas e apunhalados antes do seu último alento. Quão amargo final vendo seus filhos queridos, esposas, maridos, irmãos ou irmãs atados fortemente antes do massacre! Aquele momento em que esperavam por turnos a mesma sorte trágica dos demais. O método de matança que o bando de criminosos de Pol Pot fez com cambojanos inocentes não se pode descrever total e claramente com palavras, porque a invenção de tais métodos é estranhamente cruel, porque é difícil determinar quem foram eles, pois tinham forma humana, mas seu pensamento era totalmente primitivo, tinham rostos cambojanos, mas suas atividades eram completamente reacionárias. Quiseram transformar a gente do Camboja em um grupo de gentes sem razão, ignorantes e que não entendiam nada, que sempre inclinaram a cabeça para levar a cabo as ordens da Organização de maneira cega, da maneira em que eles lhes haviam educado e transformaram os humildes e nobres jovens e adolescentes em executores de uma justiça odiosa que os levou a matar a inocentes, e incluso a seus próprios pais, parentes e amigos. Queimaram as praças de mercado, aboliram o sistema monetário, eliminaram os livros, regras e princípios da cultura nacional, destruíram escolas, hospitais, pagodes e monumentos como foi Angkor Wat, orgulho nacional e memória do conhecimento, gênio e inteligência de nossa nação. Tentaram destruir o caráter cambojano e transformar a terra e as águas de Cambodja em lugares de sangue e lágrimas eliminando toda nossa cultura, civilização e caráter nacional. Queriam destruir toda a sociedade da Cambodja e fazer retroceder o país inteiro a Idade da Pedra.

O Começo do Fim

Em 1977, guerrilhas começaram a surgir próximo as fronteiras de Laos, Tailândia e Vietnã, cuja relações com a China e URSS se estreitavam. Pol Pot então começava a ver o Vietnã como inimigo e este via a Camboja como um “país irmão”. Mas Pol Pot não estava nem aí, estava crente que havia um “inimigo oculto” e passou a interrogar, torturar e executar diversos soldados. Ele estava completamente louco e já tinha inclusive declarado o Vietnã como “inimigo da Kampuchea Democrática” [sic]. Pol Pot, confiante na amizade com a China e crente que o seu exército era mais poderoso do que do Vietnã, começou a lançar ataques no sudoeste do país para “prevenir um possível expansionismo e anexionismo”. E a sua obsessão em procurar o tal “inimigo oculto” aumentava ainda mais. Ele mandava procurar em todo canto. Em 1978, centenas de pessoas, muitos soldados inclusive, com a acusação de serem vietnamitas e agentes da CIA, sofreram no S-21, onde eram presos, interrogados, torturados e executados. Ainda em 1978, a invasão cambojana ao território vietnamita começou a ter um efeito reverso do que esperava o Pol Pot; houveram inúmeras deserções e no Natal desse ano, houve um evento totalmente inesperado que daria fim ao mais sanguinário e totalitário regime da história. Uma invasão vietnamita liderada pelos próprios cambojanos.

A Queda de Pol Pot

Dentre os desertores (eram ao todo 20 mil cambojanos no meio de 100 mil vietnamitas), havia muita gente que hoje compõe o atual governo do Reino do Camboja, e um deles é Hun Sen, atual primeiro-ministro. A invasão se alastrou até a capital Phnom Pehn, tomada em 7 de janeiro de 1979. O rei Norodom Sihanouk se viu obrigado a fugir para China onde se confinou até 1991, quando voltou a ser monarca, e Pol Pot fugiu para as montanhas do norte do país e em diversas ocasiões, já sem a liderança do Khmer Vermelho, tentou encontros com Hun Sen sem sucesso. Em 1997, Pol Pot cometeu as suas últimas atrocidades: mandou executar Sun Hen, a sua esposa e os seus filhos. Depois foi julgado, e aceitou dar uma entrevista histórica com o jornalista estadunidense Nate Thayer, do Eastern Economic Review. Na entrevista, ele alegou a sua inexperiência e os maus serviços de certas pessoas pela morte de milhões durante o regime. E, pasmem, alegou não ser uma pessoa violenta. No dia 15 de abril de 1998, em meio a fechada floresta cambojana, Pol Pot deu o seu último suspiro como prisioneiro do grupo que ele mesmo fundou e liderou. Morreu nas condições da qual ele considerava ideal para todos. Completamente “puro”, desapegado a bens materiais, sem dinheiro, sem propriedade e livre de qualquer influência estrangeira. Mas como todo comunista, ele se achou no direito de impor tais condições a todos, e isso custou caro. Pol Pot provavelmente não percebeu isso, muito provavelmente morreu cego, sem perceber o teor da sua tirania e ainda assim consegue admiradores até hoje. Mesmo depois de ter perdido o poder e de morto, Pol Pot ainda deixou diversas heranças malditas, além da pobreza crônica pela qual o país passa; o Camboja possui mais de 6 milhões de minas que já mataram milhares de pessoas (mais de 64 mil nas últimas três décadas). Pol Pot mandou instalar boa parte delas e o Khmer Vermelho seguiu fazendo o trabalho após a queda dele.

Quem foi Pol Pot? Respondo seguramente que foi o pior ditador de todos os tempos. Por que foi o pior? Porque nenhum outro ditador foi tão idealista com o comunismo e nenhum outro esteve tão convicto de sua ideologia. Ele quis o bem de todos e confiou nisso. E vale aqui a famosa citação do escritor Clive Staples Lewis, vulgo C. S. Lewis:

“Dentre todas as tiranias, uma tirania exercida pelo bem de suas vítimas talvez seja a mais opressiva. Pode ser melhor viver sob um ditador desonesto do que sob onipotentes cruzadores da moralidade. A crueldade do ditador desonesto às vezes pode se acomodar, em algum ponto sua cobiça pode ser saciada; mas aqueles que nos atormentam para o nosso próprio bem irão nos atormentar indefinidamente, pois eles assim o fazem com a aprovação de suas próprias consciência.”

Fontes

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