A Idade Média não foi o período das trevas

Breve artigo que argumenta que a Idade Média não foi o período das trevas, citando o documentário "Por Dentro da Mente Medieval", onde o Prof. Robert Bartlett analisa a forma que o homem pensava durante a época medieval.


A Idade Média não foi o Período das TrevasMuitos aprenderam que o período da história da humanidade compreendido entre os séculos V e XV de nossa era foi uma noite de mil anos, em que não houve qualquer desenvolvimento material, cultural, científico e até mesmo intelectual.

Grande parte desse pensamento se deve a forma característica de ver a Idade Média nos períodos históricos subsequentes, a Idade Moderna e a Idade Contemporânea, estas notadamente marcadas pelo Racionalismo e pelo Iluminismo que encaravam a estrutura mental medieval como atrasada, cercada de superstições e dominada pelo modus religioso da Igreja Católica.

Na verdade, o que houve durante a Idade Média, em especial, na chamada Baixa Idade Média (séculos XI ao XV), foi uma grande revolução no pensamento, principalmente com o surgimento das grandes universidades que existem até hoje como Oxford e Cambridge (Inglaterra, 1214 e 1209 respectivamente), Sorbonne (França, 1150), Bolonha (Itália, 1088), Salamanca (Espanha, 1218) e Coimbra (Portugal, 1290). 


Este é um breve artigo que vimos num já finado site, Recanto das Palavras, um dos textos que nos despertaram interessar por estes assuntos, normalmente ficam de fora do mainstream ou são distorcidos por algum motivo ou outro.

O artigo fala brevemente sobre o assunto e cita uma série de documentários em quatro episódios chamada Por Dentro da Mente Medieval (Inside the Medieval Mind), onde o Idade Média, Prof. Robert Bartlett, da Universidade de St Andrew, “analisa a forma que o homem pensava durante a época medieval. Para os nossos ancestrais, o mundo parecia ser misterioso, até encantado, ver homens verdes, com cabeça de cães e seres estranhos era algo comum. O próprio mundo era um livro escrito por Deus. Mas à medida que a Idade Média aproximava-se do seu fim, ele se tornou um lugar para ser dominado e explorado“.

Como não achamos este documentário legendado, dublado ou ao menos completo, temos uma interessante resenha sobre a obra feita pelo blog Buscar o Saber e Conhecimento:

No período que conhecemos como Idade Média, e não precisamos lembrar que se trata de uma divisão para facilitar os estudos, as ideias no Ocidente eram sufocadas pela religião, porém assim mesmo havia exploração, ciência, não condizendo com as trevas que alguns atribuem a este período.

O importante é compreender como era a visão de mundo das pessoas naquela época, muito diferente da atual. Eles tinham muitas visões de seres estranho, mas isto não é folclore, para eles era fato, verídico.

Na Catedral de Hereford existe um mapa mundi de 1300 feito sobre o couro de um bezerro onde o que vemos não é exatamente um mapa como o compreendemos hoje que nos indicaria os lugares e como fazer para ir de um lugar a outro, não era isto, este mapa mostra como eles imaginavam a terra. Jerusalém é simbolicamente o centro deste mapa, temos então 03 continentes, o oriente na parte de cima e a Europa e África na parte de baixo. Os locais são simbolizados por gravuras, como por exemplo a Rússia por um urso. Também temos neste mapa o tempo e o espaço, com imagens de Adão e Eva, da crucificação de Jesus, e também do futuro com o juízo final. O que se nota é que o natural e o sobrenatural coexistiam pacificamente.

Eles se utilizavam da lógica e da observação para ver a forma como as coisas encontram seu lugar num mundo inteiramente religioso. Para a mente medieval um fato podia ser ao mesmo tempo natural e sobrenatural, eles não faziam esta divisão. Um eclipse era ao mesmo tempo um fenômeno natural e um sinal divino.

Os bestiários é outra coisa maravilhosa daquela época. São livros escritos à mão com desenhos magníficos descrevendo a natureza, mas não como nós faríamos, pois a natureza não é vista de forma independente, e o que os seres representam é uma mensagem para o homem moral e espiritual.

Porém tem início o desencantamento do mundo. Surgem as primeiras Universidades que é talvez o maior legado da Idade Média para o conhecimento. Neste momento também temos as guerras cristãs e eles invadem Toledo na Espanha onde estavam os muçulmanos retomando-a. Toledo era um centro de artes e ciências com bibliotecas maravilhosas. Os europeus irão descobrir então Aristóteles que lhes era desconhecido e isto irá causar uma revolução intelectual, uma vez que os gregos buscam explicações para o universo que não incluem um Deus cristão que criou o mundo em sete dias. Para os gregos não houve a criação, e eles acreditam que o Universo sempre existiu e sempre vai existir. Obviamente que isto suscita uma reação cristã e é proibido ler Aristóteles sob pena de excomunhão.

Será preciso São Tomás de Aquino para reunir tudo isto fazendo uso da razão dos gregos para explicar a revelação divina. Assim surge a Escolástica.

Este encontro com o mundo muçulmano também trará outras informações e descobertas na ciência, na química, álgebra e principalmente os números arábicos, pois fazer somas com os números romanos não é algo fácil.

Aos poucos se vai passando da contemplação maravilhada à consciência do domínio. O tempo que antes era medido por fatos irregulares diários, refeições, missas, marés altas e baixas, passará a ser medido de forma precisa através dos relógios mecânicos.

Mas ainda há mais por vir. Quando entram em contato com os mongóis e a China e todo o conhecimento que este povo possuía. Marcos Polo um italiano escreverá sobre as maravilhas que viu, apesar de poucos acreditarem nele na época. E depois virá outro italiano, Cristóvão Colombo que descobrirá a América e pensará que chegou ao éden, ao paraíso.

O interessante é notar que as indagações medievais como por exemplo sobre os anjos ocuparem um mesmo espaço ou não são as mesmas que a física quântica faz hoje.

Sempre fui fascinada pela Idade Média, por seu imaginário, sua visão de mundo, suas construções, os livros manuscritos e os desenhos. Este documentário é muito bom e nos mostra um pouco de tudo isto.

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