Tempos Anti-históricos

Curto parecer do professor de história Dr. Ricardo da Costa criticando a forma na qual Napoleão foi caracterizado no filme de 2023, texto que chamou de "Tempos Anti-históricos".


Finalmente estou assistindo Napoleão (2023) de Ridley Scott (1937-). Afinal, li muitos livros sobre a Revolução Francesa. Infelizmente tenho que concordar com os críticos: o filme é ruim. E pior do que eu pensava. Uma sequência de “flashes” desconexos, ainda que em ordem cronológica – como Scott conseguiu isso eu não sei! E com dezenas e dezenas de erros históricos (o diretor quis que o filme fosse um filme histórico!). Entendi sua opção pelo anti-historicismo ao ler uma entrevista sua. Ao ser perguntado sobre a opinião dos historiadores, disse: “Quando tenho problemas com historiadores, pergunto: ‘Desculpe-me, companheiro, você estava lá? Não? Então cala a boca!’”. Meu Deus!

Bem, tem um pouco de tudo: feminismo, psicanálise… Mas o pior talvez tenha sido representar o imperador francês como uma pessoa tosca, rude – ele foi sanguinário e cruel, mas de modo algum tosco! Joaquin Phoenix (1974-) é bom ator, mas deu saudades de Marlon Brando (1924-2004) em “Desirée, o amor de Napoleão” (1954), romance singelo, mas com um astro com o uniforme francês.


É interessante que o professor de história Dr. Ricardo da Costa deu esse curto parecer no Facebook criticando a forma na qual Napoleão foi caracterizado no filme de mesmo nome de 2023, texto que chamou de Tempos Anti-históricos.

Antes de assistir ao filme, o professor Ricardo escreveu também no Facebook:

Vou assistir, claro. Mas, de antemão: por que tantas críticas? A resposta é simples: desde que passaram a achar que cinema é fonte histórica! Eu aprendi que “cinema é a maior diversão”. Por isso no filme Napoleão (1769-1821) presencia a decapitação de Maria Antonieta (1755-1793) – estava bem longe de Paris, em Toulon, combatendo contrarrevolucionários – e dinamita as pirâmides. Bem, apesar de filmes não terem essa obrigação de fidelidade histórica, caso queiram saber a dúzia de erros históricos de um “filme histórico”, leiam a excelente crítica do Prof. Dr. Francisco Gracia Alonso (1960-) da Universidad de Barcelona (ele conclui que o filme é um crime…).

Sou medievalista: já estou acostumado a “licenças poéticas” em relação à Idade Média por parte de Hollywood. Quem quer aprender História, tem que ler livros – e que se baseiem em fontes primárias (documentos de época).

Sobre o filme

Napoleão (Napoleon) é um drama épico baseado na história de Napoleão Bonaparte, retratando principalmente a ascensão do líder francês ao poder, bem como seu relacionamento com sua esposa, Joséphine. Dirigido e produzido por Ridley Scott e escrito por David Scarpa, este filme é estrelado por Joaquin Phoenix como Napoleão e Vanessa Kirby como Joséphine. Foi recebido com elogios às sequências de batalha e performances, embora tenha sido criticado por suas imprecisões históricas.

Sinopse

Um olhar sobre as origens do comandante militar e sua ascensão rápida e implacável ao imperador, visto através do prisma de seu relacionamento viciante e muitas vezes volátil com sua esposa e um amor verdadeiro, Josephine.

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